Análise arquitetônica da Arena das Dunas

Análise arquitetônica da Arena das Dunas

Segue texto da análise do projeto Natalense feita pela arquiteta e urbanista Lilian Oliveira sobre Natal 2014.

Antes de começar as análises do projeto e da cidade, vou começar com uma inquietação minha. Descobri, sem querer, o estádio do Arizona Cardinals, de futebol americano, nos Estados Unidos. Abaixo a foto do estádio. Soa familiar?

Não sei se foi uma referência que se tornou algo muito parecido… Independente do motivo, ao se elaborar um projeto como esse, onde você quer criar um “cartão postal”, trabalhar o turismo, fazer do estádio um marco para a cidade, tudo tem que ser muito bem estudado para que isso não aconteça. O Brasil tem arquitetos competentes para fazer um estádio único. É por isso que acho que ainda dá tempo de torná-lo algo especial, sem nada parecido no mundo. Se foi uma referência, ficou muito parecida com ela. Isso não seria bem uma releitura.

Enfim… começo as análises, então.
Segundo o relatório elaborado pelo Sinaenco, “Vitrine ou vidraça: Desafios do Brasil para a Copa de 2014”, Natal tem um transporte insuficiente quando se refere aos trens e obsoleto quanto aos ônibus. Perante esta informação, Natal deve se preparar muito, pois já é uma das capitais mais visitadas no país. A construção de um grande aeroporto na região metropolitana de Natal, colabora com essa mobilidade, acessibilidade e com o possível boom turístico que o Brasil terá depois da Copa.

Natal é principalmente visitada pelos europeus (pelo menor tempo de vôo) e argentinos. No entanto, na minha opinião, deve ser trabalhada uma campanha turística, para contagiar e estimular, públicos que ainda não são grandes alvos de Natal. Sem dúvida, o público alvo continuará visitando, mas a Copa é a chance de atrair olhares de quem ainda não tem tantos estímulos para visitar a cidade. Enfim, essa é a opinião de uma leiga em turismo.

Sobre Natal não ter times bem classificados em nossos campeonatos, até 2014, esse pode ser um incentivo, assim como outros estados na mesma situação podem trabalhar, desenvolvendo a qualidade do futebol, que pode ser mantida depois da Copa já que terão uma infra-estrutura exemplar.
Analisando o projeto apresentado – Natal faz a proposta de um complexo contendo: o estádio para a Copa, “arena eventos”, centro administrativo estadual, centro administrativo municipal, “hotel 5 estrelas convenções” (não achei marcado o local na implantação abaixo), torres comerciais, “edicício comerciais – embasamento lojas”, “edifícios comerciais – flats”, “estacionamento superfície” e anfiteatro (Não entendi como ele é naquele espaço a ele destinado. – ???) Enfim, resumindo e tirando as enrolações feitas por títulos diferente com significado igual, o projeto será: um centro comercial (vertical), hotel, o estádio e espaços para diversos tipos de eventos.

Não sei qual é a idéia desse lago, não achei nada a respeito, mas ele bem que poderia abrigar água de chuva captada pelo estádio e por outros espaços, sendo utilizado da manutenção desse grande espaço verde que, sem dúvida, precisará de uma boa irrigação. Além disso, não dá para saber ao certo como ele é, mas a própria manutenção dele será bem cara, então é preciso achar bastante programação para uso desses espaço para que ele não se deteriore rápido por falta de verba. Não será só o estádio que deverá conseguir verba para manutenção, mas todo esse espaço em volta. Não li nada, também, sobre os usos do estádio em si, já que convenções, eventos e anfiteatro são todos feitos fora do estádio. É bom para o gramado, mas, ao mesmo tempo, fica o estádio ocioso, sendo que poderia ter usos. Esse complexo aumenta a possibilidade de usos mas, ao mesmo tempo, aumenta o número de gastos com manutenção devido aos inúmeros equipamentos. A verba arrecadada com eventos não será para manutenção exclusiva do estádio, mas terá que ser dividida entre todos estes equipamentos. É um risco que parece que não foi percebido.
Outro problema grave que vi, é a quantidade de edifícios espelhados. É uma grande burrice copiar esse tipo de estratégia. É muito bem utilizada por países onde o clima é mais ameno. Natal, no entanto, tem cerca de 320 dias de sol/ano. Os vidros espelhados podem até refletir os raios de sol, no entanto, podem interferir no entorno, aumentam intensamente o uso de ar condicionado e de iluminação artificial. Não só por ser uma copa verde, mas por pura consciência, esse tipo de artifício não é bem-vindo. A arquitetura peca ao não tentar achar soluções adequadas ao clima tropical. Não é toda tecnologia que vem de fora e que teve sucesso que podemos utilizar aqui, são condicionantes diferentes, ou seja, proporcionam resultados diferentes.

Outra coisa que senti, foi que a localização dos equipamentos foi meio que jogada. Não parece ter um estudo de fluxos, estudos paisagísticos relevantes, e nenhum motivo evidente para tal inserção dos edifícios vizinhos ao estádio. Porque as administrações estadual e municipal não estão lado a lado? São administrações que devem conversar, então porque distanciá-las?
Confesso que simpatizava mais com o projeto antes de estudá-lo. Ou seja, era mais uma questão visual. E, mesmo assim, agora vendo a semelhança com o estádio americano, perdeu ainda mais a graça.

Sobre a cobertura, ainda não ententi muito bem. Não há coleta da água da chuva nítida. A não ser que haja “ralos” em toda a volta do estádio. Inicialmente, pensei que no local onde tem as “frestas”, a estrutura em forma de “U” com acabamento transparente serviria de calha, mas para isso, a parte opaca e branca deveria ser curva, direcionando a água, mas não é. Além disso, se a água fosse para a possível calha, ela cairia bem em cima da escada, ou seja, também não daria certo. Definitivamente, não entendi porque ela é em forma de “U” e rebaixada.
Por falar na questão da escada, tem que ser feita alguma proteção para que a água não faça cascatas em cima dela.

Mas não serão só críticas negativas (apesar de construtivas). Acho que o ponto positivo desse estádio são as escadas para evacuação do estádio. É setorizada, ou seja, cada “bloco” de arquibancada tem uma escada, localizada nas “frestas” da cobertura, semelhante à organização do estádio italiano, San Nicola, em Bari. É um dos pontos essenciais de um bom projeto de estádio.

Atualmente, a proposta parece bastante preliminar. No entanto, como ganhou um prêmio de arquitetura corporativa. Devem haver mais pontos positivos que não vi ainda por não ter acesso às plantas ou outros materiais. No entanto, ficam aqui as minhas críticas, que considero ser bastante pertinentes.

Sobre a cidade como um todo, acho que deveria se preparar em relação ao que ela tem de melhor. Ou seja, artesanato, por exemplo. O nordeste como um todo tem grande potencial no artesanato e culinária, nesses próximos anos, poderiam ser feitos grandes incentivos aos artesãos e na gastronomia. Além disso, poderia ser feito um estudo maior de como o turista poderia circular em cidades vizinhas, gastar mais, viajar entre os estados do nordeste como um todo (já que a copa tende a ser setorizada por regiões devido às grandes distâncias).

Propostas para a cidade em hotelaria devem ser feitas e, principalmente, em saneamento, já que foi considerada a pior das escolhidas como cidade-sede. E não é só por ser cidade-sede, mas porque já passou da hora de termos isso como exigência mínima de infra-estrutura no Brasil.
Enfim, fiquei meio decepcionada com o que vi até agora. Acredito que Natal tenha seus trunfos e potenciais a serem desenvolvidos. Mas acho que precisa de muita coisa ainda, a ser obtida através de grande dedicação e investimentos ainda não mencionados e computados. Não vejo problemas em gastar grandes quantias com a Copa, desde que elas sejam direcionadas à melhorias nas cidades que sempre questionamos e nunca conseguimos.

Por ser uma copa verde, e ser esta a imagem que queremos deixar como legado para o país, falta muito para Natal.

Outra questão que vale a pena ser mencionada, é que o litoral brasileiro tem um potencial enorme para a produção de energia eólica. No nordeste é impressionante tal capacidade. No entanto, um pequeniníssimo percentual da produção de energia, no Brasil, é proveniente dos ventos. Como um desenvolvimento saudável, está é mais uma chance de desencalhar projetos e investir nesse tipo saudável de consumo de energia.

 

fonte:http://teddywenks.blogspot.com/2010/06/analise-arquitetonica-da-arena-das.html

    • Satyro Barbosa
    • 2 junho, 2011

    Bem, ja havia observado o estadio de futebol do Arizona! Apesar dos competentes arquitetos brasileiros, ainda estamos muito longe de fazer projetos de referencia principalmente nessa area esportiva. É uma pena, e nao acredito que os arquitetos que fizeram esse projeto nao tenham visto o do Arizona… para mim foi quase um plagio… perdendo a oportunidade de fazer um projeto marco para Natal. No Brasil ainda existe um lobby muito forte para os ditos grandes arquitetos para tomarem frente de grandes projetos… se houvesse concurso tenho quase certeza que esses grandes arquitetos ficariam de fora perdendo para a grande juventude que aporta por ae… e so ver o caso do Ruy Otake em SP, veja o projeto de mau gosto, pessimo! O mais arrojado e o de Manaus e foi feito por estrangeiros! É uma pena, nossa aruitetura atrasada se reflete em nossos estadios ultrapassados esteticamente!!!!

  1. olá satyro, preciso falar com voce, me passe um email, cainhopresley@ibest.com.br, ou me ligue: 48-32593558, um abraço.

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